Quando senti saudades de você, te escrevi um poema, só para não perder o costume de te contar histórias bonitas ao anoitecer. Quando senti saudade de não ser, me refugiei sobre as paredes para não me pertencer. Por dias me contentei em sentir saudades, apenas por não ser. Já se foram tantas horas, distantes e silenciosas regando todo o campo de estrelas que sinto pulsar sobre meus olhos. Quando senti vontade de você abracei o primeiro pedaço de histórias que me limitei a ser. Tanta lembrança esparramada fez a gente se sentir, fez a gente se querer.
Quando senti saudade do teu cheiro, me embebedei do perfume mais barato que encontrei, só para esquecer do calafrio que me rodeia toda vez que me banho do teu aroma. Quando senti saudades de uma melodia, o meu assobio macabro e silencioso tomou conta do meu peito. Quando tento sorrir e acabo por chorar. E sinto saudade, em todos os segundos que nos separam da nossa verdade. Sinto. E não canso. Talvez por isso eu seja tanto. Nada. Demasiadamente inexplicável.
Quando senti que nada mais restava, me embrenhei em uma busca incontrolável por pés que se entrelaçassem aos meus na madrugada fria. Sozinha. Quando despertei meus olhos caçaram tão vorazmente os teus que me senti oca. Vazia. Sem nada. Me contorci em mil pedaços, me recolhendo em cada canto do quarto onde misturei você a minha saudade. Vontade. Verdade. Quando me calei, revesti de vermelho a minha paixão fragmentada, repetidamente contada e por vezes tão piegas sobre os meus dedos tão fiéis. E prossegui assim, caçando horas para viver de verdade, repetindo notas para não me embebedar de silêncio, de novo. Quando fui, me vi. Me achei. Quando nada mais me coube, reencontrei forças para te contar mais uma história. Assim. Sem fim. Porque sempre haverá um quando entre todas as virgulas que eu colocar, ou novas horas para contar como a vida passará a espera de abrigo, de colo, de arrepio.
Já aceitei tuas falhas, cargas e amarras. Já aprendi que voar sem asas é apenas um pequeno passo para a nossa liberdade, que todos os cantos correspondem ao arrepio mais suave que emana do teu cheiro. Recuperei minhas tralhas, e até as minhas cartas. O quando ainda me suporta, sobre o tanto da forma que me emano. Re-encanto todas as cores para te ver brilhar quando voltar.
Te encanto. Quando. Tanto.