
Inspirado em Cisne Negro
O desassossego perturbando de maneira crônica fez retumbar o desconhecido. Tudo do qual não sei parecia assustar e instigar, provocar de maneira sádica, levantando-me da cama e me fazendo andar de um lado ao outro na escuridão das três da manhã. O encanto pelo desconhecido movia-me, muito mais que o encanto pela contemplação. Maravilhoso adorar o que conheço intimamente, mas não me completa, não me maximiza, não me altera.
Buscando a perfeição, precisando assim sanar toda e qualquer falta, respondendo o que não conheço. Seria por imposição, ambição, ganância? Sem respostas, apenas doente por ser a melhor, doente por ser quimérico, luto todos os dias pela excelência, odiando todo e qualquer desvio que meu corpo ou minha alma fazem, odiando muito mais a mim a cada momento.
Quanto mais penso, mais vejo a falta, mais sinto o não entender. Seria a perfeição, contentar-se? Assim, eu teria que ignorar as faltas. Não conheço nem a mim, e assim para tentar enquadrar-me na perfeição, a única saída seria aceitar que em toda existência há respostas e moldes para tudo. Mas, em tudo sempre há falta. Para seguir, eu preciso da falta, da falta que o ontem me faz, que o hoje me move, que o amanhã espera.
Sou chamada a fazer regras a partir do nada, a inventar algo dentro do vazio. Mas não resolvo nada, não respondo nada, e a ausência tinge-me de novo. Nunca darei conta da minha vida? Assim vou caminhando em frente? Mas a perfeição? Mas e ser a melhor? Mas e o sufoco, o sofrimento? O verdadeiro viver seria a idealização disso. Enxergar que não vou, jamais, chegar perto da utópica perfeição, pois seria calar ao mundo e ao que o move. A falta, quem diria, é a perfeição. Não ser, não possuir, lutar, construir, é a maior superioridade que existe, é o motor da existência. O vínculo que une as pessoas, que as almas compreendem é buscar descobrir algo além do que conheço, é ter mais desse encantamento sabendo que
ele nunca acabará. Procurar em cada qual algo a mais, redescobrindo-o a cada segundo. Calar, ser perfeito diante do mundo, seria não ser completo.
Então, que eu sempre falte, para assim viver dentro da majestade da busca pelo mais.

1 comentários:
Belo texto! Você escreve muito bem, gostei. =)
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